Como uma geração de pais cristãos e muitos líderes de Departamentos Infantis em Igrejas podem estar formando novos ateus? Infelizmente, é isso mesmo que você leu.

"...era Raquel, chorando inconsolada por seus filhos"... (Mt 2.18)

Tenho exatamente neste momento dois livros sobre a minha mesa: um, (na realidade, um livreto) de 1987 e outro, de 2012.

O primeiro, há mais de 30 anos, alertava sobre o que, como evangélicos, “estamos deixando”. Teve pouca tiragem e deve estar até esgotado. Com certeza, dos poucos livros editados, a maioria deve estar perdida em uma gaveta ou em um canto qualquer de um escritório pastoral. O outro, deve estar na sua mais recente edição, em grande quantidade de exemplares e traduzido em diversos idiomas.

O primeiro deles - um livreto, como lhes disse – a própria editora faliu. Má administração. O outro, as editoras brigam e pagam caro por seus direitos de impressão. O primeiro tem só 40 páginas em formato de livreto de bolso. O segundo tem 271 páginas. Ambos falam para alunos. Ambos têm a ver com ESCOLA.
O livreto (intitulado de “O Ministério Educativo da Igreja”) tem um lindo começo: “Uma reflexão bíblica sobre os desafios e oportunidades da Educação cristã”. Mas que reflexão oportuna” Estudar sobre os desafios que temos. E que visão: Tratar de oportunidades.
O Segundo traz logo uma pergunta desafiadora em destaque: “Como sabemos o que é verdade”?

O Segundo livro foi escrito para crianças por Richard Dawkins, um que investe muito em crianças. E o que ele não deixa. E  nós – muitos de nós – já deixamos?


Em primeiro lugar, nós já deixamos de investir na infância como formação de crentes professos para o presente e para o futuro, faz tempo. Mesmo com informações como a de Provérbios 22.6 (ensina a Criança no caminho em que deva andar – com certeza, o versículo mais conhecido-desprezado do livro de Provérbios)  o que vimos nos últimos vinte anos foi um decréscimo na Escola Bíblica Dominical, não só em número de crianças matriculadas, mas, principalmente, de nível educacional. Enfatizo: baixou e muito o nível e o ritmo de nossas aulas. Crianças evangélicas de hoje podem até ter mais informações, mas, menos conhecimento bíblico. Comprovadamente vemos este decréscimo.
O que Dawkins não deixa é de ver esses mesmos alunos! Crianças são importantes para ele. Sua Fundação na Inglaterra investe pesado e regularmente em atividades com crianças, sendo uma delas o que muito bem JÁ FIZEMOS mas hoje, negligenciamos: acampamentos - talvez, nossa segunda maior força evangelística de crianças (a primeira, ainda acredito ser a Escola Bíblica Dominical). Dawkins com a sua equipe, realiza acampamentos para crianças inglesas com muito empenho e esmero. E basta-lhe um final de semana (com reunião em volta da fogueira e tudo [para nós, seria o culto da fogueira]) para entregar ao mundo mais uma fornada de jovens-muito-jovens-ateus. Hoje são poucos os ministérios com acampamentos, lutando para sobreviverem e resistiram. Pais que antes enviavam suas crianças para acampamentos (e as traziam para a Igreja e, principalmente para a EBD) hoje preferem “outros tipos de passeios”.

Em segundo lugar, Dawkins investe pesado em perguntas! Nós temos 'investido bem' em temas para entretenimento.

Enquanto ele questiona com perguntas nada “científicas” como costuma declarar-se (“científico”, mas entre em assuntos espirituais direto), Dawkins leva crianças a pensarem: o que é a verdade? E aí, ele começa a responder-lhes em seu livro escrito para crianças e adotado já por muitas escolas como “aulas científico-filosóficas” assim que as crianças estão alfabetizadas. Enquanto ele se preocupa com perguntas essenciais à existência,não são poucos os evangélicos que estão julgando essenciais o entretenimento, chegando a gastar e muito com encontros, festas do príncipe e da princesa e nos detalhes e acabamentos impecáveis da decoração. Dawkins não perde tempo. Nós perdemos. Dawkins não perde o foco.

Nós perdemos. Dawkins investe. Nós nos preocupamos  é com revestimentos de tafetá! Dawkins chega com perguntas e oferece respostas anti-Deus. Nós nos preocupamos com temas cópias de Hollywood para os nossos encontros e acampamentos. Noite disso, noite daquilo...

Não que não tenha lugar para essas “noites de” em programações de acampamentos, claro! Mas o que estou querendo dizer é que: muito mais de nossos assuntos em reuniões se passam pensado nisso do que nos assuntos para a fé e o crescimento espiritual das crianças.  Daí, Dawkins não perder tempo: sua primeira reunião já que as crianças chegam é: “vamos procurar o unicórnio”. E depois de uma atividade bem pensada, vem a pergunta: “encontraram o unicórnio”? “Viram, por acaso, algum unicórnio”? e a resposta em coro, até podemos ouvi-la: nããããooo. Aí vem a sua proposta: “pois é. Unicórnios não existem. Vocês não os vêem”. E ... já viram Deus?

Em terceiro lugar, o que Dawkins não deixa e nós já deixamos, é a formação da criança no lar (e aqui, não poucos pais estão falhando consideravelmente!)

Dawkins incentiva a que seus pais ensinem ateísmo logo cedo aos pequeninos. Que não deixem de cumprir com esta responsabilidade. Já o que os pais crentes deixam... pra lá?..
Dawkins não deixará o tempo passar, pois sabe que o tempo da infância é precioso para construção de seu ateísmo desvairado e para a desconstrução da fé de uma criança. E o fará. E nós?


Como está a sua EBD? O currículo bem pensado para cada idade, cada faixa etária? Seus estudos e pesquisas para oferecer o que temos de melhor para as crianças na Escola Bíblica Dominical? Ah, você deixou para amanhã? Que pena.

Hoje Dawkins e sua equipe já pensou em mais coisas como eles podem ser eficientes em alcança a mente e o coração das crianças.
E no que depende deles, eles não estão deixando nem o tempo e nem a oportunidade passarem.

Como sabemos o que é verdade?

Deixa comigo! 

Apresenta-se prontamente para responder às crianças, Dawkins.

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