SIM, JESUS NÃO É MELHOR QUE O NARUTO.

A SÉRIA QUESTÃO DE RECORRERMOS A SUPER-HERÓIS PARA FALARMOS DE JESUS

No desenho, Naruto, ficção japonesa e uma ideia gráfica de Jesus.

O marketing tem definitivamente conquistado mais a mente de muitos crentes do que suas consciências estão ativas pelo Espirito Santo de Deus para terem critérios para examinarem de tudo, mas reterem o que é bom na hora de escolherem lições, estudos e cânticos para as crianças ( ver, 1 Ts 5.20,21).

HÁ UMA TENDÊNCIA MODERNA DE CHAMAR JESUS DE HERÓI.

De uns tempos para cá o fenômeno de revistas mangás e sua profusão de heróis tem invadido muitos lares cristãos e uma quantidade enorme de pais tem comprado para seus filhos Bíblias e Novos Testamentos em estilo mangá (a linha de desenhos japoneses em histórias em quadrinhos que movimenta bilhões de dólares cada ano) e muitas editoras têm feito isso também: a Bíblia em Mangá, onde Jesus e todos os personagens da Bíblia assumem traços orientais que se tornaram cativantes, graças ao sucesso de vendas.

Comum também é ver posts onde Jesus está conversando com Capitão América, Thor, Homem de Ferro, Hulk, Homem-Aranha, etc… e todos os chamados super-heróis estão conscientes de que só Ele, “o Herói Jesus”, pode salvar o mundo.

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“…É mais uma ferramenta, pastor”.

Infelizmente não vejo assim e nem posso concordar com este argumento. É mais um empobrecimento entre os crentes de hoje, assim vejo. E um perigo. E um problema.

Um empobrecimento, porque mais do mercado, da mídia e dos sistemas têm preenchido o gosto dos crentes do que o contrário: os crentes estarem influenciando com a boa literatura, o bom conteúdo a boa música e, claro, com bons livros a infância atual.

Vejo como grave perigo e grande problema um sério diagnóstico: o de que vivemos a geração mais analfabeta de Bíblia da história da Igreja e a que mais rápido se deixa levar por ações do marketing e da mídia, estes sim, ditando o que os crentes devem ler, comprar e colocar nas mãos de seus filhos.

Jesus não é e nunca foi – e não veio para ser – um herói – Isso porque, até mesmo o conceito de “herói” mudou bastante nos últimos tempos, principalmente na nação norte-americana, que tanto reconhece e valorizou seus heróis.

“Herói” nos EUA e na concepção do uso original de tal termo por lá, era gente normal – tão humana como você e eu – que realizara atos de coragem e de bravura em prol de uma causa justa, principalmente de uma causa com princípios e valores cristãos. Pessoas que se auto-sacrificaram, que pagaram o preço da lealdade e do caráter cristão de comportamento, principalmente para que o mal real e a deformação moral; a causa propagada de qualquer forma de corrupção e da rápida degeneração humana fosse freada e combatida à Luz do que dizem as Escrituras Sagradas.

Assim, soldados foram à guerra, mães ensinaram a educação a seus filhos em tempos de graves crises, muitas delas viúvas e pobres… líderes melhoraram nações com o sacrifício e o preço de sua saúde e parcos recursos para que o bem vencesse o mal e tudo dentro da dura realidade de vida sob a Queda.

Porém, como tudo nos EUA é grande, não bastavam esses heróis de carne e osso e seus belos exemplos de vida a serem imitados e pontuados. Precisavam dos “supers”. E hoje a coisa ficou a tal ponto que diante dos Supers, os verdadeiros heróis e suas lindas histórias passam a ser desinteressantes às pessoas da atual geração, no máximo ficam estes verdadeiros heróis na sessão das histórias que passaram a ser “bonitinhas, mas”… ou seja: histórias bonitinhas de altruísmo e de serviço, de dedicação a uma causa… mas que eu prefiro os da ficção, prefiro! Assim, o conceito de “herói” foi tragicamente contaminado e alterado. E nesse aspecto, não cabe para Jesus Cristo, jamais ser chamado e “herói!”

Ele nunca foi um herói. E há grande diferença entre um “herói da mentalidade moderna que salva o mundo” e o Filho de Deus que salva pecadores. Para os heróis da presente era, eles “salvam o mundo”, mas o mundo fica igualzinho ao jeito que estava e seus habitantes vivendo do jeitinho que viviam antes. Quando Jesus salva o pecador este não pode mais ficar do jeito que estava antes e nem seguir vivendo do jeito que “todo mundo vive”.

De o Homem-de-Ferro ter salvado o mundo em um dia qualquer e ele mesmo seguir cínico e debochado a Jesus Cristo ter vindo ao mundo e ter vivido como viveu e morrido como morreu (e ressuscitado como ressuscitou! – Leia Filipenses 2.5-11) há implicações seríssimas que não podem sequer ser comparadas, sem que a fé, o entendimento; a compreensão de vida, a cosmovisão e os incentivos para atuação neste mundo por uma criança, não sejam afetados para pior e para bem longe dos ensinamentos, valores e princípios bíblicos. “…Ora, pastor, deixe de exagero. Depois que crescer a criança entende e conseguirá diferenciar bem Jesus do Capitão América…” pode dizer alguns. Bem, eu não arriscaria isso, jamais. Ensinar na fantasia e na ficção como apoio para a formação e firmação da fé de uma criança dessa forma, vejo perigos, pois se não crerem certo logo cedo… de maneira alguma verão a alva! A esses defensores de tais recursos, eu digo: o ensino cristão bíblico que por anos instruiu pequeninos (catecismos, EBD, culto doméstico) mais e melhor formaram vidas sem tais recursos apelativos, do que hoje.

Em comparação (sim, em comparação) mais meninos e meninas de séculos passados sabiam mais de Bíblia, de doutrina e de preparo para a vida do que os meninos e meninas de hoje, mesmo que estes vivam com profusão de recursos e condições – incluindo financeiras – e aqueles só tinham um único livreto de instruções para a vida e assim mesmo, surrado. A diferença estava exatamente no CONTEÚDO e na dedicação dos pais crentes. Aquele livreto continha instruções bíblicas. Os de hoje – muitos livros chiques – estão repletos de conceitos mundanos, “pincelados” de Bíblia mas ausentes de seu real conteúdo. Sim, muito ausentes deles e repletos de ficção “gospel” ou midiáticos.
A comparação de Jesus com os heróis (nesta mentalidade deformada de “herói” e não tem jeito de mudá-la, por mais que professores de EBD, pastores e pais tentem explicar que Jesus é um “herói diferente”) prejudica e muito a formação da fé em uma criança. Mais do que se pode imaginar. O preço será muito caro!
Todas essas apelações consumistas revelam que os pais não examinam mesmo o conteúdo e a proposta que cai em suas mãos. Compram, ou pela beleza estética do livro, ou porque “tá todo mundo” comprando…

De catecismos (deem uma olhada por exemplo, no Catecismo de Heidelberg) esses pais que compram, esses líderes de Departamento Infantil e esses professores EBD e esses produtores de produtos midiáticos para dentro de nossas igrejas NUNCA viram e nem entendem uma linha sequer do mesmo!
Se parassem, porém, para comparar um com o outro (sim, apenas o Catecismo de Heidelberg e suas propostas de ensino para a vida de pessoas) honestamente falando, teriam que corar de vergonha e dizer: “eu faço mal aos meus filhos e alunos se compro isso e se dou isto às minhas crianças na igreja” (o heroísmo de Cristo).

Estudem as Escrituras. Vejam como Timóteo foi educado por sua mãe e por sua avó (leia, 2 Timóteo 3.14-17) e vejam se elas estavam entretendo o menino, ainda que bem intencionadas. E não faltavam deuses do Olimpo para darem “uma ajudazinha”. “Ora, pastor, mas aquilo era idolatria!!!” E que mal menor fará à compreensão estrutural da fé de seu filho, da sua filha, logo cedo na vida, a fantasia?

Meus irmãos, mais de mundanismo e de ativismos do mundo têm penetrado em nossas mentes do que podemos perceber. E isto muito tem afetado a formação bíblica de nossos filhos. Mas do que podemos medir. Mas os reflexos já se veem e se notam. Trágicos resultados. Mais pais e professores lerão este artigo com um pré-conceito de que eu estou exagerando… do que com disposição para reconhecimentos de suas falhas como educadores. Parem, pensem, orem e vejam. Leiam novamente o artigo com os olhos da educação cristã bíblica e vejam se estou mesmo “exagerando”. Estatísticas mostram que hoje, de 100 jovens cristãos que entram em uma Universidade, 53% perderão a fé antes de concluírem o primeiro ano na Faculdade.

O Reverendo Hernandes Dias Lopes diz algo que eu concordo totalmente com ele. Comparando gerações de crentes, diz Hernandes: “Os nossos avós foram mais crentes do que os nossos pais. Os nossos pais, mais crentes do que nós. E nós… mais crentes do que os nossos filhos”.

…Ben10, Batman, Superman, Mulher Maravilha… e até a Barbie! Já pensaram?! Jesus é melhor do que todos eles. Assim chegam a cantar com as crianças. E isto porque, “Jesus é meu Super-Herói”!
Não, Ele não é e nunca foi.

ELE É O REDENTOR! – E o devido entendimento do que isto significa, Implica e lhe custou, nem de longe qualquer ideia “midiática” de “herói” serve sequer para início de conversa. E na minha opinião, não tem conversa.

John Stott fez uma vez uma comparação que muito me cativou quando eu era adolescente e li seu livro “Cristianismo Básico” (recomendo!). Falava ele sobre a tentativa de os homens engrandecerem os seus ícones humanos e governantes e assim usavam o adjetivo “GRANDE”. Daí termos Alexandre, o Grande; Pedro, o Grande. Jesus não é Jesus, O Grande.
Ele é Jesus, o ÚNICO!

Nada e nem ninguém pode ser comparado a Ele. E recorrer a certos poderes, super-poderes, ideias de super-heróis para ver se as crianças O entendem e O amam, é pobreza demais.

Melhor ir na fonte. E servir às Crianças água cristalina. A mesma das explicações que o Filho de Deus deu sobre si mesmo a uma mulher sedenta.

E a sede das crianças não é diferente.

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